Pontão Pátria Grande de Integração Latino-Americana e Territórios de Fronteira


Comunicado

Comunicado

Para: A Comunidade Internacional do Movimento Latino-Americano de Culturas Vivas Comunitárias.

De: O Movimento de Culturas Vivas Comunitárias de Cuba.

Ref.: COMUNICADO

O povo cubano enfrenta hoje uma situação complexa, marcada pelas ações hostis do Presidente Donald Trump e do governo dos Estados Unidos, pela intensificação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto há mais de seis décadas e pela injusta inclusão de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo.

O cerco brutal — juntamente com medidas arbitrariamente adotadas, sanções unilaterais e a política de isolamento — busca quebrar a resistência do nosso povo e limitar seu direito à livre autodeterminação. A guerra midiática, que visa isolar a realidade cubana do mundo e substituí-la por uma narrativa construída do exterior, tenta sufocar o país e ameaça sua soberania, sua economia e — sobretudo — suas culturas vivas comunitárias.

Declarar um Estado de Emergência Nacional contra Cuba, negar o fornecimento de petróleo, aplicando sanções extraterritoriais a a quem quiser comercializar com a ilha; Países que tentam ajudar são multados com altas tarifas e/ou têm seus bens confiscados. Da mesma forma, o acesso ao mercado internacional e às transações bancárias é proibido, afetando a compra de alimentos, medicamentos, suprimentos e outras matérias-primas necessárias para serviços básicos, biotecnologia, produção industrial e o setor de turismo. Como consequência, a escassez e o desespero são avassaladores, as necessidades básicas não são atendidas e a inflação e os altos preços levam a uma emigração incontrolável. A falta de combustível também impacta seriamente o cotidiano das comunidades, a produção, a assistência médica, a educação, o transporte e o acesso à água.

Atualmente, o país foi forçado a implementar medidas internas drásticas para manter os serviços básicos. O transporte praticamente desapareceu, as escolas funcionam apenas meio período e os cortes de energia duram longos períodos. Soma-se a isso o acesso limitado às comunicações, especialmente a conectividade precária, que prejudica a qualidade e o bem-estar da população. Tudo o que acontece em Cuba afeta crianças, famílias e nossas comunidades, aumentando as vulnerabilidades, que são ainda mais acentuadas entre os idosos. Estamos a sofrer algumas das medidas mais cruéis que qualquer país já enfrentou, agravadas no início de fevereiro pela completa paralisação do abastecimento.

A situação atual dificulta a disseminação das nossas expressões culturais e da nossa identidade, que são constantemente ameaçadas e manipuladas. Impõe limitações à participação em eventos culturais, intercâmbios e conferências, sobretudo devido às restrições nos pagamentos fora de Cuba, como a compra de bilhetes, viagens internas e cancelamentos de voos devido à escassez de combustível.

Diante dessa realidade, reafirmamos que a cultura é um território de resistência e esperança. As comunidades cubanas continuam a criar, compartilhar e defender suas práticas culturais, tradições e projetos de vida, apesar das dificuldades impostas do exterior. O Movimento Latino-Americano de Culturas Vivas Comunitárias faz um chamado por:

-A unidade dos povos da América Latina e do Caribe, conscientes de que somente juntos podemos enfrentar as ameaças que buscam nos dividir e enfraquecer nossas raízes.

-Solidariedade internacional, expressa por meio de acompanhamento, denúncia e apoio concreto às comunidades cubanas que sustentam a vida cultural em bairros, escolas, projetos comunitários e espaços criativos.

-A construção de uma frente única para proteger nossas culturas vivas, defender a diversidade, a memória e a criatividade de nossos povos contra qualquer tentativa de dominação.

Hoje, Cuba não está sozinha: a América Latina e o mundo estão ao lado de seu povo. A cultura não pode ser bloqueada. A cultura não está sujeita a sanções. A cultura é a alma de nossos povos e a força que nos une. Os povos têm o direito de defender sua livre autodeterminação e a possibilidade de escolher seus destinos, fundamentados nas expressões mais autênticas e vibrantes de nossas culturas e identidades.

Com essas convicções, a cultura cubana se une ao apelo pelo direito internacional à autodeterminação e à soberania dos povos. Cuba não recuará do caminho construído ao longo de mais de 60 anos, servindo como farol e guia para a independência e a unidade da América Latina. Contudo, o bloqueio real e — neste momento — a escassez de importações de combustível por qualquer meio nos prejudicaram profunda e estruturalmente, obstruindo qualquer caminho para o desenvolvimento das comunidades e de suas culturas vivas.

Por essas razões, apelamos à solidariedade global, às amizades sinceras que construímos ao longo de todos esses anos de luta ao lado de nossas nações irmãs, para reafirmar nossa posição de resistência contra os mecanismos do colonialismo cultural, nossa convicção revolucionária de jamais renunciar aos sonhos de um futuro melhor para nossa região e a presença de Cuba no VII Congresso de Culturas Vivas Comunitárias, que nos permitirá fortalecer nossa proposta para sermos anfitriões dignos da 8ª edição deste importante evento na conquista de nossos objetivos.

Com amor e esperança, continuamos a defender nossa identidade e nosso trabalho cultural comunitário. Somos um país profundamente afetado, tanto espiritual quanto materialmente, mas a força de nossas ideias nos tornou um povo resiliente que continua a lutar pela integração latino-americana e pela unidade de nossos povos. É hora de não desistir e de vislumbrar um futuro melhor para as novas gerações. A luta continua, camaradas.

Um abraço latino-americano de solidariedade

MCVC Cuba

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